Friday, May 27, 2011

Cover dude: Sean O'Pry

Sean O'Pry on the cover of Playing Fashion
Photographer: Saverio Cardia
Styling: Emil Rebek

Sean O'Pry, um dos melhores modelos masculinos da actualidade, senão mesmo o melhor, foi capa da edição de Maio da revista ucraniana Playing Fashion. Um editorial a preto e branco, simples, minimalista, clássico e absolutamente edgy. Sean prova aqui mais uma vez porque é que está on top of the business. Sabe sempre criar uma imagem icónica, que associada à fotogenia, tem como resultado estas fotografias absolutamente incríveis e intemporais. Estilo, classe e postura são algumas das palavras que descrevem este trabalho fotográfico, muito bem captado pela lente de Saverio Cardia. Ele que é um fashion photographer genial. Se pesquisarem no google por alguns trabalhos dele, vão ficar de boca aberta.
Para mim as fotografias a fumar têm uma aura especial e são o destaque que faço. Um dia hei-de fazer um post sobre isso mesmo.

Wednesday, May 25, 2011

Art lesson

Foi o impressionismo que me despertou para o inesgotável universo da pintura, independentemente de correntes artísticas ou protagonistas de pincel na mão. De facto, quer seja retrato, natureza morta, paisagem, temática religiosa ou nu, há quadros que nos agarram como se deles fizéssemos parte, ainda que por centenas de anos separados. Não se deve necessariamente a uma razão de identificação, pode apenas ser um deslumbramento estético, uma janela cromática de formas que nos transporta para uma realidade onírica da consciência artística. Nada inverosímil, apenas inteligível. Édouard Manet (e não Monet, esse também existe mas é um outro artista!) foi um dos precursores da pintura impressionista, cuja principal característica são as pinceladas leves e curtas que se observam como um todo quanto mais longe se estiver da tela.


Ora bem, entre o ano de 1862 e 1863, Manet pinta “Le déjeuner sur l’herbe”, um dos meus quadros preferidos de sempre. Nele vemos uma mulher nua sentada com dois homens completamente vestidos, no meio de uma floresta, a degustar um piquenique. A pose da modelo transmite uma sensualidade inerente que escandalizou o sector mais conservador da sociedade da época. O quadro esteve exposto no Salão dos Recusados, no mesmo ano, espaço para onde iam as obras dos pintores que fugiam aos cânones e que por isso não eram seleccionados para o Salon de Paris. Consideraram que este quadro de Manet estava mal pintado, quando na verdade já se adivinhavam nas pinceladas o florescer de uma nova corrente artística: o Impressionismo. Mais tarde, o Salão dos Recusados (criado por Napoleão III em resposta aos protestos dos artistas que não eram seleccionados para o Salon de Paris) mudou de nome e passou a ser o Salão dos Independentes ou Salão de Outono. Era lá que os verdadeiros vanguardistas expunham o seu trabalho, demasiado visionário para a época. Apesar de ter sido uma das obras mais menosprezadas, o seu valor real veio-lhe a ser atribuído mais tarde.


Em “Le déjeuner sur l’herbe”, Manet inspira-se claramente na pintura do passado. Vai buscar a pose da modelo nua a “Julgamento de Paris” de Marcoantoni Raimondi, do século XVI. Para além disso, apenas numa pintura consegue miscigenar retrato, paisagem, pintura de género e natureza morta, diluindo qualquer hierarquia existente na arte e revelando a modernidade da corrente que viria a preconizar.

Já recuperaram desta lição compacta de História de Arte? Então vamos lá ao que me levou a dá-la. A Dolce & Gabbana nunca me desilude, pelo contrário, consegue conquistar-me cada vez mais. Desta vez com uma simples t-shirt, que pode ser adquirida aqui.


E quando digo simples é mesmo muito simples. Num algodão cinzento antracite temos “Le déjeuner sur l’herbe” de Manet, em manga curta. E o que me agrada mais é mesmo a consciência de que se pode trazer arte vestida. Ok pode ser um simples estampado, mas pelo menos para mim que adoro o quadro, pintura no geral, Manet no particular e Impressionismo above all, é um objecto de desejo. Quero muito, muito, muito, muito. O quadro também, se mo arranjarem, mas parece-me que está fora de qualquer horizonte. Actualmente, está em exposição no Musée D’Orsay, em Paris, e quem sabe um dia não vou para lá acampar com esta t-shirt da D&G para acordar e ver esta espantosa pintura todos os dias.

Tuesday, May 17, 2011

Rip it off & wear it out


Se há alguém que conhece as colecções Burberry Prorsum de trás para a frente sou eu. Não há dia em que não sonhe que tenho uma peça a viver dentro do meu armário. Infelizmente o sonho não é, de todo, real.
Pois bem, eu passo horas (e quando digo horas são mesmo muitas horas) a ver lojas online, a ver roupas que para as ter precisaria de juntar 2 ou 3 ordenados... (suspiro) No outro dia estava a ver os new arrivals da Topman quando me deparo com uma camisola (imagem à esquerda) que me fez lembrar imediatamente uma sweater do desfile Spring/Summer 2011 da Burberry Prorsum. Fui imediatamente comparar e no essencial são parecidas.
Isto levanta uma pequena questão a da democratização e vulgarização da moda. Eu não sou purista, nem o podia ser, mas uma marca de haute couture como a Burberry Prorsum demarca-se pelo design e pela exclusividade que oferece aos clientes, ou seja, se eu tiver um jacket da Burberry sei que é pouco provável encontrar muitas pessoas com um igual, porque é inacessível à maioria. Mas se não tenho balúrdios para gastar em roupa significa que não posso ser fashionable?! Not fair! É uma questão mais que filosófica! Como é óbvio todos nós, gostamos de ter as coisas acessíveis. Escusado será dizer que no entanto preferimos os originais, quem não perfere, não é?!
Relativamente a estas duas peças temos uma da Topman que custa 28 libras (ver produto aqui) e que pelos vistos já está fora de stock (os fashionistos andam atentos!); depois temos outra (imagem à direita) da Burberry Prorsum que custa quase 700€ (ver produto aqui).
O key-point desta sweater está nos ombros. Enquanto que a da Topman é navy blue com aplicação de camurça nos ombros e também cotoveleiras, a da Burberry é dark green e tem umas redondelas de couro camel apenas nos ombros. Existe uma clara diferença no requinte e na qualidade. E eu adoro esta camisola. Quem me dera que ela me caísse do céu assim desejosa de ser minha. Infelizmente nem a cópia posso mandar vir porque está esgotada!
Mas agora voltando à questão que levantei anteriormente, a verdade é que também odeio pessoas que dervirtuem as tendências, isto é, pessoas foleiras que pegam em peças giras e tornam-nas vulgares, banais e mal combinadas. Não fiquem agora aí a achar que é uma posição arrogante, não é!
E vocês o que acham?

Sunday, May 15, 2011

Boat shoes: trend or tragic?


Ora bem, sapatos de vela! É verdade, são uma das tendências deste Verão. Esqueçam os castanhos e pretos, porque também os sapatos de vela aderiram à explosão cromática e existem nas cores mais deliciosas.
A linha náutica dos sapatos de vela está associada a um estilo mediterrânico como o de marcas como a Façonnable, Gant e Ralph Lauren. Um estilo do qual sou um confesso seguidor. No entanto, os sapatos de vela era daquelas coisas que eu pensei que nunca mais ia usar. Bem, nunca se deve dizer nunca pelas razões óbvias. Quando era pequeno usei sapatos de vela até à exaustão, a minha mãe adorava, ia bem com tudo e dava aquele estilo preppy chic. Quando comecei a autonomizar o meu estilo troquei os sapatos de vela por ténis. Com este renascimento dos sapatos de vela, rendi-me.


Pharrell Williams
dos N.E.R.D. já os usava em tons fortes. Ele que é um visionário no que diz respeito à moda e por isso um modelo a seguir. Estou sempre de olho naquilo que ele usa, não há dúvidas que ele tem imenso gosto.
Eu gostei especialmente dos sapatos de vela verdes, se não estivessem out of stock eu já tinha feito trinta por uma linha para os ter. Os cor de vinho também são giros e já vi uns na loja online da Timberland (clicar para ver).


No Upper East Side da série Gossip Girl, o Chuck Bass e o Nate Archibald também já usavam os sapatos de vela que iam lindamente com o estilo colegial. Também as raparigas são contempladas pela moda dos sapatos de vela, a mais recente BFF do Karl Lagarfeld, estou a falar claro está de Blake Lively, também os usa num look mais casual.
Para esta estação, conjugam-se os sapatos de vela com os pólos e os calções em tons coral, beige, verde menta, cinza, branco, azul noir, óculos de sol, relógios dourados, chapéus de palha. Em suma, um look navy chic de quem está de férias em St. Tropez ou até mesmo no Principado do Mónaco.


Eu cá já comecei a caça aos meus. Quero muito os verdes da Band of Outsiders/Sperry Topsider mas também vi uns amarelos da mesma marca que me saltaram logo à vista, são fun and fresh. Se bem que também gosto muito de uns multicolour (clicar para ver)... são mais folclóricos, mas também lhes acho uma certa graça. Agora é encontrar nas lojas! Alguém sabe de um sítio porreiro com boat shoes giros? Se souberem, não hesitem!
E já agora o que acham desta tendência? Yey ou no way?

Thursday, May 12, 2011

Hello facebook!

LinkA infoexclusão não é de todo para mim e a pedido de muitas famílias criei finalmente uma página de facebook aqui para o 2X Nº1. É verdade que inicialmente estava um pouco relutante e demorei a perceber a mais valia que é poder interagir de uma forma directa com os visitantes do blog. Mas mais vale tarde do que nunca. O espaço facebookiano ainda está em processos de crescimento, esperem alguma instabilidade nos próximos dias mas não se inibam de usar a página.
Peço desculpa pela falta de actualizações aqui no blog mas há algumas novidades para breve e cada coisa a seu tempo. Quanto à página do facebook podem aceder através do link mais abaixo ou clicando na imagem, depois já sabem: só precisam de por "Like". No facebook vão existir mais novidades, imagens, quotes, passatempos entre outras iniciativas e espero receber sugestões vossas. Conto com o vosso apoio e divulgação!

Sunday, May 1, 2011

Sleeping grown up beauty


Chama-se "Sleeping Beauty" e é um dos filmes que concorre à Palma de Ouro em Cannes. Infelizmente não posso classificá-lo como a adaptação do clássico da Disney "A Bela Adormecida", muito menos de versão contemporânea da história. Talvez uma versão adulta, mais erótica, não há príncipe encantado nem beijo que acorde a princesa.

Estou muito ansioso para ver este filme que só pelo trailer já me conquistou. "Sleeping Beauty" marca a estreia de Julia Leigh na realização e conta com a actriz Emily Browning no papel de protagonista. A Emily já fez de Violet na adaptação cinematográfica do "Series of Unfortunate Events", uma série de livros do Lemony Snicket que eu sou simplesmente o maior fã. Bom, para além disso, podemos vê-la recentemente no "Sucker Punch".

A história de "Sleeping Beauty" centra-se na jovem universitária Lucy que é atraída para o mundo da prostituição, onde satisfaz homens que têm um estranho fetiche por mulheres que dormem durante o acto sexual. É claramente um drama erótico e estou ansioso para ver. A cinematografia parece estar espantosa, os cenários estão muito bons e atrevo-me a dizer que a Emily Browning para além de ser linda terá um desempenho irrepreensível.

Friday, April 29, 2011

Royal wed

Antes que o Royal Wedding perca a fervura e sem querer ser exaustivo, não queria que algumas coisas ficassem por dizer. Ainda que a chuva de predas ou neve em Lisboa ande a tentar ser o tópico do dia, é impossível não falar sobre o casamento do Príncipe William com a Kate Middleton, que plos vistos não é Princesa mas sim Duquesa de Cambridge. Nada mau.
Tirando as três horas de cânticos, a cara de enfadada da Kate, o ar de tonto do William, até foi bem o que esperava.

Vou começar pelo lado mais cómico da coisa. Já se sabe que para casamento real a indumentária é fundamental. Não há cá nada de decotes, nem ombros à mostra que isto não é um cocktail nem um red carpet hollywoodesco.
Chapéus no entanto não obedecem a regras... que o digam as Princesas Beatrice e Eugenie que foram ao casamento do primo nestes preparos. Ao menos, segundo o que sei ainda estão available... e embora não preencham os meus requisitos não diria que não, por uma vida de príncipe! Será qualquer semelhança pura coincidência?!

Agora quanto aos convidados, bom... eu fiquei sentado ao lado dos Beckhams. Achei que a Rainha Elizabeth II de amarelinho tava compostinha, age appropriate, tinha um broche ao peito de meter inveja e o twin set dava-lhe o ar fofinho. Gosto da imagem de austeridade que ela transmite ao mesmo tempo, está ali toda protocolar que é uma maravilha. Work it, girl!


Comentário que é comentário sobre o casamento real tem que ter análise ao vestido de noiva.
Ora bem, acho a Kate Middleton uma miúda bem gira, que tinha a oportunidade de ser épica. Veio da classe média, tem uma love story de faculdade com o príncipe herdeiro de Inglaterra e vai-me naquela humilde farpela? Não pode ser. Lembram-se do vestido da Diana? Cheguei a questionar-me como é que toda aquela cauda coube na carruagem e vem-me a Kate sem gracinha nenhuma.


Ok que o vestido é atelier Alexander McQueen, desenhado pela directora criativa Sarah Burton, mas não me convenceu, por variadissimas razões, passo a enumerá-las:
1) Demasiado conservador e pesado
2) Posso não comentar que é uma cópia descarada do icónico vestido usado pela Grace Kelly?!
3) Para a pompa e circunstância de um evento destes precisava de ser mais magnânimo e mais jovem.

Agora é altura de procurar as diferenças:

Quanto ao resto, estava tudo muito bonito, muito arranjadinho. O povão gritou até não poder mais. A Kate pôs em prática o aceno que aprendeu nas aulas de etiqueta e comportamento real. E tiveram direito a carro com Ju5t Wed e tudo. Os canapés do copo de água é que roçaram o forreta, mas pronto percebemos que também são tempos de contenção para a casa real.
Este terá sido o momento mais cool de todo o casamento, diria eu:


Não posso no entanto rematar a minha dissertação real sem falar sobre o beijo. Tenho duas versões: a primeira que achei uma falta de graça, um beijo assim meio desenchabido, meio murcho, pouco convincente; a segunda que invalida a primeira porque também podia ser um beijo tímido, inocente, retraído por estarem em frente a uma multidão. Qualquer seja a verdadeira razão acho que eles foram muito simplezinhos, not in a bad way, não me interpretem mal.

A questão é que after all eles são os futuros reis de Inglaterra, esperava algo mais épico, mais grandioso e na verdade senti que eles quiseram ser mais terra a terra, um casamento mais à civil, sem nada de exageros. Como se isso fosse possível! Afinal eles são fucking royalty, se eu pertencesse à fucking realeza o meu casamento ia ser fucking epic e fucking huge. Claro que ser discreto nunca é uma má opção. Mas no que diz respeito ao beijo esperava algo mais apaixonado, até porque o William e a Kate acabam por ser secundarizados na fotografia, com uma pequena estrela em ascenção. Canto inferior esquerdo, hilariante. Já há quem a chame de "recalcada", eu cá acho que ela está completamente stealing the show.

Wednesday, April 20, 2011

Tune of the moment

Para além de serem a mais recente confirmação do Optimus Alive, os My Chemical Romance também são uma das bandas que gosto desde o início. Andaram meio desaparecidos mas este "Sing" é de um outro nível. A minha lista de músicas mais ouvidas no momento é demasiado extensa para entrar em mais pormenores... mas quem sabe um dia não faço a 2XNº1 Mixtape. Parece-me uma boa ideia, mesmo a tempo do Verão.
E vocês o que tem andado a ouvir? Alguma sugestão?

UPDATE:
LOVING THIS ONE RIGHT NOW! SO GOOD! Também vêm ao Alive.

The Naked & Famous - Young Blood

Thursday, April 14, 2011

I met someone by accident who blew me away


Cheguei a casa cansado de um dia de trabalho. A camisa branca já vinha meio amarrotada e o colarinho aberto. Durante meses a fio senti a tua falta. Hoje não tenho bem a certeza porquê nem sequer me lembrei de ti. Quer dizer, estou a pensar agora devido ao facto de não o ter feito como sempre fiz desde que saíste de casa.
Sabes o que para mim é mais estranho? Conheceres-me como ninguém me conheceu até hoje. Sabes a cor do meu sangue, sabes como sou quando durmo, quando lavo os dentes, já sabes de cor o meu mau feitio matinal, que não gosto do leite quando fica muito tempo fora do frigorífico, conheces o meu corpo como conheces a rua da casa onde sempre viveste. E de um momento para o outro partes com um novo rumo, como se a intimidade que partilhámos fosse, sei lá, tão banal como uma conversa de café com um desconhecido.

Entretanto fui-me habituando a estar sozinho, depois de ti não foi fácil reconstruir a minha vida. Pelo menos da maneira que eu desejava. Não tenho a capacidade de suprimir sentimentos à velocidade com que tu o fazes. Talvez o meu sistema tenha uma cilindrada inferior à do teu.
Agora não sou capaz de amar, de gostar, de olhar com olhos novos. Deixaste-me um peso impossível de carregar, estou ancorado num sítio onde eu não quero estar, a uma memória que não quero protelar.
Soube há umas semanas que estavas feliz, que já tinhas alguém. Um substituto, é assim que eu prefiro ver a situação. Se bem que, sinceramente e modéstia à parte, eu acho que sou insubstituível. Mas espero que ele seja alto o suficiente. Inteligente que baste. Acredita, nunca vais encontrar ninguém que se equipare sequer àquilo que eu sou, a tudo aquilo que fui para ti.


Ainda sei a melhor forma de te magoar, mas também sei como te dar prazer. Sei que adoravas ter as minhas mãos em cima de ti, era isso que mais querias sentir quando eu chegava do trabalho. Desejavas-me de uma maneira tão forte que não te conseguias controlar. A tua respiração era incessante quando me beijavas, mordias-me o lábio, agarravas-me nos pulsos, cravavas as unhas e empurravas-me para o sofá, sentavas-te de joelhos em cima de mim, olhavas-me e dizias que me amavas, que nunca ninguém te tinha feito tão feliz. Eu sorria e retribuía ao puxar-te para mim.

Tudo isso me fez falta durante algum tempo. Demasiado tempo, para ser honesto. Fico satisfeito que estejas feliz, mas na dúvida se és mais feliz agora ou quando estavas comigo. Alguém que fique em termo de comparação comigo, sai certamente a perder. Tu sabes disso, acho eu. Adorava que um dia te arrependesses, gostava que pelo menos tivesses uma recaída, para eu sentir a força da droga que fui para ti. Adorava ainda mais ser orgulhoso o suficiente para não ceder. Para te desprezar. Já resultou noutras situações. E mais do que ninguém tu sabes quando eu digo “não” e quero dizer “sim”, sabes quando digo gosto e na realidade não gosto. Portanto, mesmo que me contivesse ias perceber. De qualquer forma, sentir-me-ia vencedor se te resistisse neste jogo de hipóteses que agora formulo. De facto, só serviu para perceber que, apesar de ter chegado a casa e não me ter lembrado que te podia ter à porta à minha espera, continuas a não sair do meu subconsciente. E sabes o mais irritante no meio de tudo isto? Eu não saber se se passa o mesmo contigo.

Monday, April 11, 2011

Your smile said you were feeling me too cause when your lips met mine I finally got it right

(Sara Blomqvist & Jeremy Young photographed by Andreas Öhlund for Stockholm)

Why am I mad? I don't get it... It seems like every time you give me signs and I miss it. I did it again, I admit it, I left you standing there and now I regret it.
Seems like every time I get the chance, I lose my cool and I blow it and I get all tongue tied lost in your eyes... I'm a fool and I know it!
I should've kissed you, I should've told you, told you just how I feel.

Thursday, April 7, 2011

Let me introduce myself...

Eu vou-vos confessar uma coisa. Eu tenho uma relação de amor-ódio com fotografias. Gosto que me fotografem, mas desde que fique bem. Acho que a maioria das pessoas é assim, não é?! A questão é que na maior parte das minhas fotografias estou de óculos de sol. Eu sei que óculos de sol dão imensa postura, dão sempre confiança e segurança, mas na verdade parte de nós acaba por ficar sempre de fora. No entanto, quando tiro fotografias sem óculos de sol a minha maior tendência é olhar para o lado, para baixo, para todos os lados possíveis excepto para a lente da máquina. Este fim de semana que passou fiz uma sessão e não tive receio nenhum de olhar directamente para a máquina. Olhos na lente. Sincero e natural. Sem sorrir, os meus traços apenas. Sou eu e o céu lá atrás, nada de grandes vaidades. Ainda que vaidade seja o pecado capital de que padeço.

Monday, April 4, 2011

OH MY MOTHERF#CKING DOG!

Não acredito. Shaking and crying. The Pretty Reckless confirmados para o Optimus Alive dia 8 de Julho. Eu juro que era tudo o que eu precisava. Estou já a começar um countdown... faltam 95 dias! Eu durmo na rua, eu vou espera-la à porta do hotel, errr eu já disse aeroporto?! Eu faço tudo o que for preciso, mas vou ver a Taylor Momsen à minha frente. Vou tanto!

Saturday, April 2, 2011

Recent shopping

Quero falar-vos um bocadinho das aquisições que tenho feito ultimamente. Gosto muito de explorar lojas e comprar uma coisa aqui, outra coisa ali. E acima de tudo gosto de exclusividade. Não sou de grandes exageros porque para mim less will always be more, portanto quanto mais clean e simples, melhor. Deixo-vos aqui com alguns items que adquiri recentemente só para vos dar um pequeno inside scoop na minha maneira de pensar sobre o que visto e também uma introdução ao meu armário. Se gostarem, prometo que farei mais brevemente!

Esta camisa da Wesley para mim foi amor à primeira vista. Gostei da cor salmão/coral, gostei dos quadrados, gostei do corte, do toque, do tecido (100% algodão). Acima de tudo é versátil, porque posso vesti-la com um pulóver, com um cardigan, com um casaco mais fresco de primavera e dá para combinar com várias cores. Acima de tudo porque podemos juntar com azul escuro ou beige, porque a cor da camisa por si só dá logo vida ao look. Apesar da Wesley ser uma loja muito clássica, inspirada no estilo inglês, mais especializada em fatos e roupa para os pais, tem uma ou outra peça que ficam lindamente num estilo mais casual. Apesar dos preços serem um pouco altos, vale sempre a pena comprar peças de qualidade e que de certo modo são intemporais, não são tão instant fashion como H&M ou Zara por exemplo. No entanto percebo que não é fácil dar mais de 90€ por uma camisa. Também tenho camisas da H&M, por exemplo, mas uso-as 2 ou 3 vezes e depois farto-me delas porque são muito "usa-se agora passado um mês já saturam", não só porque depois vejo mais um milhão de pessoas com uma igual mas porque também se começa a perceber porque é que elas afinal custaram 9€.


Relógio dourado Casio. Já há muito tempo que ando a namorar relógios dourados, ainda juntei dinheiro para um da Nixon mas quando o experimentei ao vivo o meu pulso basicamente foi ao chão. Era demasiado pesado, mas não deixava de ser lindo. Foi então que a minha amiga Carolina do Last Minute Dreams me falou da existência de uma loja na Baixa que vendia uns Casio dourados a bom preço. Não tardei a ir lá e a adquirir este relógio lindo que fica mesmo bem no pulso e é elegante. Tanto dá um toque de requinte num visual mais simples de t-shirt e jeans, como fica lindamente num contexto mais formal com camisa e/ou blazer. Nada arrependido por ter gasto 66€ neste shiny beautiful Casio watch.


Estes Oxford shoes da Massimo Dutti foram a melhor compra de calçado que fiz para a Primavera. Há algums tempo que queria uns Oxford shoes mas nunca tinha encontrado uns que gostasse realmente, até ver estes na montra da Massimo Dutti. Ainda pensei algum tempo se os havia de comprar ou não, mas acabei por adquiri-los. 89€ mas são de óptima qualidade. Suede (camurça) beige. Também havia em azul escuro, mas preferi estes apesar de serem mais aptos à sujidade. Estes sapatos são muito versáteis, há a ideia errada de que são só para looks formais, mas eu acho o contrário adoro ver uns Oxford com jeans e camisa, ou até calções com um corte mais clássico azuis escuros, por exemplo. São super confortáveis, não magoam os pés e adoro-os. Tenho-os usado muito ultimamente. E tenho andado bastante obcecado em dar-lhes um twist com uns novos atacadores cor coral, para ganharem vida e ficarem com um ar mais edgy. Tarefa que não tem sido fácil, mas o meu amigo Marcelo ajudou-me e encontrar uns shoelaces no ebay cor coral que já estão a caminho. (Mas já agora se alguém souber de lojas que vendam atacadores em Lisboa, avisem-me porque posso querer comprar mais cores!)


Às vezes perco a cabeça e foi precisamente o que aconteceu com este retro rib jacket da Paul Smith. Fui à Fashion Clinic, vi-o e comprei-o. Nem comento o preço, até porque me farto de trabalhar e mereço um gasto louco de vez em quando, just to keep me sane. É um jacket com um corte clássico nada de outro mundo, mas é curto, fica muito bem com t-shirts e camisas, é versátil. A cor é linda, é um cinzento com reflexos azulados. O pormenor do elástico em laranja e verde seco também dá imensa personalidade ao casaco que fica cintado e lembra um estilo meio 90's. Gostei mesmo e já o usei várias vezes. Ao início achei-o um pouco curto de comprimento, porque nas mangas e ombros tava perfeito, mas o modelo é mesmo assim. Retro rib como diz o próprio modelo do jacket. E este é daqueles exclusivos. Escusado será dizer que não estou nada arrependido.


A Zara continua a ser um ponto incontornável de fast fashion onde se pode comprar as coisas de uma qualidade razoável e a bom preço. Eu queria muito umas red jeans (já da colecção de inverno queria umas cor de beterraba, que ainda cheguei a ver em saldos mas não comprei feito burro, depois quando me decidi a comprá-las já não as havia em lado nenhum). Bom, a questão é que eu tinha a certeza que isto não são calças de se usar assim todos os dias para ir para o trabalho, mas por 25€ why not? Lá vieram elas viver cá para casa. A verdade é que ainda só as usei uma vez, mas vou fazer-lhes um DIY para ficarem com alguns rasgados e terem uma lavagem ligeiramente. Só um toque pessoal. São modelo skinny, mas não muito apertado. São confortáveis e ficam mesmo bem na cintura.


E agora comentem-me esta edição limitada de t-shirts da Sisley com o James Dean! Pois é. Eu tenho um amor declarado pela Sisley, adoro mesmo é das minhas brands preferidas. Tenho pena que a loja do Chiado seja pobrezinha às vezes nas escolhas das peças da colecção porque por exemplo já estive nas lojas de Itália e muita coisa não chega cá. Ainda bem que eu em Itália me aviei bem, gastei uma fortuna mas tudo o que comprei fartei-me de usar durante o Inverno. Mais recentemente fui à Sisley do Chiado e fiquei apaixonado por uma colecção de t-shirts com o James Dean, que para mim é um verdadeiro icon, ando absolutamente obcecado com um filme dele "East Of Eden". A questão é que eu tinha de ter uma t-shirt destas e comprei a da esquerda, ele a andar na rua. Acho muito icónica e já a vesti, mas tou ansioso para a usar durante o verão. Fica muito bem com o meu leather jacket por exemplo e com os braces que comprei na Topman em Londres. Se da próxima vez for à Sisley e ainda houver, compro a da direita, se bem que é das fotografias mais vistas dele mas gosto na mesma. Havia mais duas t-shirts para além destas, mas estas duas foram as minhas preferidas.

O que acharam das minhas compras? E o que andam vocês a adquirir para a estação quente? Partilhem tudo!

Friday, March 25, 2011

Stylish people

MILEY CYRUS + DOUGLAS BOOTH
on the set of their upcoming movie "LOL"

I need a pair of black Dr. Martens just like Douglas. Loving both casual looks, so simple yet so stylish. Less is definitely more.

Sunday, March 20, 2011

Moda Lisboa 20 Years - Love: Review

Passou precisamente uma semana desde a Moda Lisboa mas ainda vou mais do que a tempo de a comentar. Foi mais uma Lisbon Fashion Week em que marquei presença e gostei bastante. A organização está de parabéns. Tenho apenas um reparo em relação ao espaço que achei pequeno em relação à disposição em afiteatro do ano passado no Mercado, ou até mesmo quando foi no Páteo da Galé mas num espaço que era o dobro do deste ano e também tinha o dobro dos lugares sentados e mais distanciados em altura, o que permitia melhor visibilidade. Também houve alguns problemas nas formações das filas e em termos de organização Club/Guest/Convite, porque às tantas já ninguém sabia quem é que entrava primeiro e outros metiam-se à frente.
Bom, mas indo ao que interessa. Deixei os meus olhos amadurecer sobre as colecções, escolhi os meus looks preferidos dos desfiles a que assisti e não podia deixar de os partilhar. Foi com pena minha que este ano, por atrasos e filas intermináveis, não assisti aos desfiles de Filipe Faísca, Luís Buchinho, Lidija Kolovrat, Miguel Vieira e White Tent. Por essa razão não os vou comentar. Não vi as peças ao vivo e melhor do que ninguém sei que julgar pelas fotografias é diferente de ver ao vivo as roupas em movimento ao som de determinada música, etc. Portanto, as propostas de criadores nacionais para o Outono/Inverno 2011/2012 que estão aqui foram aquelas a que assisti. Espero que gostem e não se esqueçam de dizer quais os looks/colecções que mais gostaram!

RICARDO PRETO
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Se a Moda Lisboa podia começar de melhor maneira? Não, não podia. Ricardo Preto foi mesmo a melhor forma de começar a 36ª edição da Lisbon Fashion Week. O criador português apresentou uma colecção bastante diversificada nos tons, tecidos e cordenados. Acima de tudo uma colecção que fica marcada pela classe, sofisticação e bom gosto. Foi feita a pensar certamente numa mulher urbana e moderna. Cinturas marcadas, silhuetas elegantes, transparências, pêlo. Gostei também da introdução dos chapéus. O corte das peças é absolutamente irrepreensível, há diversidade, é vestível, uma colecção sóbria mas que não se perde no minimalismo. Foi um dos standouts de toda a Moda Lisboa, sem dúvida alguma.


PEDRO PEDRO
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Confesso que quando vejo os desfiles do Pedro Pedro, e já não é o primeiro em que isso me acontece, a digestão fica-me difícil. Digestão da colecção, entenda-se. Demoro algum tempo a assimilar o que vi. Numa primeira impressão vejo claramente o bom gosto e acabo por concluir que é um criador muito coerente nas propostas que apresenta. Gostei da colecção Outono/Inverno, onde se deu destaque às cinturas; gostei dos tons cinzas e castanhos, a força do encarnado e do beringela e também alguns apontamentos de outras cores, como o azul pastel. Para além de silhuetas mais definidas, também há looks mais baggy, mais descontraídos, mais casuais. Os materiais também foram diversificados, destaque para os veludos, usados com alguma reticência, e bem. As peças com pêlo e as boinas são mais valias nos cordenados. Overall, uma boa colecção.


ALVES/GONÇALVES
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Se há uma palavra que podia descrever esta colecção é elegância. Os Manéis sabem claramente agradar a uma mulher extremamente exigente e sofisticada. Aqui, os chapéus ganham uma dimensão de absoluta tendência, o chapéu com abas largas, provavelmente em feltro, com fita. Os casacos são também uma das forças desta colecção Outono/Inverno, assim como os vestidos que a dupla de criadores continua a propor, sempre na vanguarda. Gostei também de alguns looks geométricos, das cores utilizadas nos coordenados, principalmente do azul cobalto e das variações entre encarnado e bordeau. Um dos pormenores que achei engraçados foi os collants por cima dos sapatos. Acho que ficou genial. Também houve uma grande incidência nos pretos, cinzas e tons mais escuros, que continuam sempre a ser imortais em toda a estação fria. A dupla Alves/Gonçalves mais uma vez a mostrar porque é que são um dos nomes mais consagrados na moda nacional. Verdadeiros trendsetters.


KATTY XIOMARA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Nunca estive muito atento ao trabalho da Katty Xiomara e talvez tenha sido esta a colecção que me demorei com mais atenção. O tema da fantasia poder-se-ia traduzir, num primeiro pensamento, em peças dramáticas, exageradas, quase a roçar o disfarce. Acho que a criadora optou pelo caminho ideal que foi trazer o lado mais romântico da fantasia, em detrimento do teatral. O romantismo dos vestidos, a leveza dos tecidos, os brilhos, os cetins, os pêlos, os pompons deram alguma personalidade à colecção, ainda que às vezes me questionasse "será que isto é de Inverno?" ou "será que isto não é loungewear, ou como quem diz, roupa de andar por casa?". Há algumas peças que me trouxeram à cabeça um roupão, uma lingerie, uns chinelos de quarto, mas depois há também casacos mais acertivos e coordenados mais maduros, que de certa forma equilibram a colecção. As cores utilizadas foram todas muito suaves: malva, azul noite, cinza pó, falso branco e o eterno preto, mas aqui sinceramente não senti necessidade de cores fortes. Não foi a minha colecção preferida, mas gostei da criatividade e da visão que a Katty Xiomara traz à sua própria moda.


ANA SALAZAR
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Ana Salazar é uma veterana e sabe melhor do que ninguém apresentar uma colecção de vanguarda, com um enorme sentido estético e cromático. Já tive a oportunidade de a entrevistar umas poucas de vezes e acho-a uma verdadeira visionária em tudo o que cria. Nesta colecção, o tema da densidade das florestas passa-me ao lado, quando vejo cabedal, sedas, tachas. Dá-me alguma vontade de rir quando leio comparações do casaco de cabedal encarnado ser igual ao da Balmain. Sempre ouvi dizer que great minds think alike, e o cabedal encarnado não é exclusivo de ninguém. Bom, Ana Salazar traz novamente o encarnado e o preto para a estação fria, juntamente com peças mescladas em verde seco e castanho. Mais do que vestidos, esta colecção define-se pelas calças com um corte moderno e actual. Os blusões, casacos e capas são também um core point da colecção, muito metálica na sua essência e talvez apropriada para uma mulher mais agressiva, uma femme fatale cosmopolita, diria eu. Dou especial destaque ao casaco e às calças prateadas.


ALEKSANDAR PROTIC
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Se há uma estação fria onde nenhuma mulher se vai comprometer, será certamente a do Aleksander Protic. E porquê?, perguntam vocês. Porque o criador apostou no preto e em algumas peças nude. A maioria dos coordenados acentuam as formas do corpo feminino, outros são mais vaporosos, principalmente devido às sedas. Para além disso temos também lã, algodão e pele. Há uma grande aposta nos detalhes das peças, que não só enriquecem a colecção mas também a tornam coesa. Na minha opinião o Aleksandar Protic juntou os tecidos de uma forma inteligente, jogou com texturas, brilhos e simetria. Atrevo-me a dizer que 90% das peças são simétricas e apreciei imenso isso.


ALEXANDRA MOURA
COLECÇÃO FEMININA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Se na Moda Lisboa há uma colecção que se poderia catalogar de indie, seria claramente a da Alexandra Moura. Eu gosto, já tinha gostado da colecção de Primavera/Verão e acho uma proposta das mais refrescantes, tanto nas cores como na simplicidade das roupas que ao mesmo tempo são tendência. As cinturas são meio descaídas, mas as calças são vestíveis, assim como os casacos e o calçado. O calçado que nesta colecção feminina é um destaque pela variedade porque tanto há rasos, como botas, botins e sapato. O azul acinzentando e o preto são duas cores fortes na colecção que é pautada por contrastes nos looks, nomeadamente os que incluem pêlo. Os cabelos lisos e extremamente compridos nas modelos constituem um ponto positivo assim como a pintura facial que faz lembrar as pinturas do povo índio. A colecção tem identidade e personalidade, o que faz da Alexandra Moura um dos valores seguros e vanguardistas da moda nacional. Está de parabéns por arriscar, pela criatividade e por pensar outside the box.

COLECÇÃO MASCULINA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
A colecção de homem, assim como já referi na de mulher, é muito refrescante. Os visuais têm realmente um ar invernal, cozy e também indie. As calças assumem-se mais largas com o cós descaído, os tons são mais escuros. Cardigans, casacos e sweats large size. Quanto a calçado, também temos muita variedade: ténis, sapatos e bota de atacador. Gosto especialmente das botas cor de caramelo, absolutamente apetecíveis. Alexandra Moura mantém uma ligação entre as colecções masculina e feminina, os tons são recorrentes assim como os materiais. O uso de pêlo branco, que faz lembrar pelúcia, foi uma ideia bem aplicada, porque contribui para alguns contrastes. E todos nós sabemos que pêlo já foi tendência este Inverno e no próximo mais do que democratizado vai ser massificado, género produção em série Ford T, tanto para a menina como para o menino.


MARIA GAMBINA
COLECÇÃO FEMININA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Depois de uma Primavera/Verão em que Maria Gambina regressou à Moda Lisboa com um desfile bem dramático e que ainda hoje me vem à memória (devido às golas exageradas, aoscreepers e à temática da Inês de Castro), a criadora apresenta uma colecção Outono/Inverno que fica aquém daquilo que eu esperava. Não gostei do tecido acolchoado que faz lembrar os casacos de ir à lua, meio plastificados. Ainda assim achei interessante o uso do bordado de tapete de Arraiolos em algumas peças, de certa forma deu personalidade à colecção que tinha como objectivo primordial ser confortável e colorida. A mancha cromática varia entre o verde seco, o coral, o branco, o beige, o verde àgua e o encarnado em alguns detalhes. O que mais destaco são sem dúvida nenhuma os loafers, são mesmo giros, adoro a cor, o feitio, tudo. O pêlo também está presente nesta colecção que se pauta por looks descontraídos e baggy, a contrastar com peças mais clássicas como camisas e os próprios sapatos. Em suma, eu talvez tivesse as expectativas demasiado altas, mas num todo fiquei satisfeito, embora na altura um pouco desiludido, mas depois de ter estudado a colecção com atenção alterei a opinião.

COLECÇÃO MASCULINA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Quanto à colecção para homem não sei se depois de a analisar fiquei satisfeito. A primeira coisa que me saltou logo à vista foi a tendência das calças coloridas em bombazine. As côr de morango e as laranja fizeram-me ter um dejá vu da colecção D&G, ainda que num âmbito absolutamente diferente. E gosto, confesso que gosto de bombazine e estou ansioso para que chegue o próximo Inverno para eu poder usar umas. Para além disso, gostei dos loafers, óbvio. Esta colecção inspirada no Mick Jagger para mim foi insípida. Não gostei das malhas, não gostei dos pulóveres compridos, nem dos que tinham corações. Muito sinceramente não me estava a imaginar em nenhum dos coordenados, nem a utilizar alguma das peças num outro contexto. Vá, talvez a camisa Oxford às riscas, que é um clássico. De resto, apesar de perceber a recriação do look pós-mod londrino, não me conquistou.


NUNO BALTAZAR
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Bom, por onde começar? Eu basicamente quando assisti ao desfile do Nuno Baltazar fiquei de boca aberta com basicamente tudo: o bom gosto, as óptimas escolhas a nível de tecidos, a classe, o estilo, as cores, a qualidade, a criatividade, a coesão. O mote para esta irrepreensível colecção foram os quadros de Gustav Klimt, que claramente deram ao criador uma ideia de elegância, beleza, sofisticação que se traduzem consequentemente em visuais extremamente femininos e modernos. Para mim só o cromatismo já ganha pontos: o preto, o castanho, um laranja-terra e o bordeau combinam lindamente nas sedas e cetins esvoaçantes e vaporosos. O corte dos vestidos transmite uma ideia de luxo, cosmopolitismo e segurança. A mulher que Nuno Baltazar certamente pensou, é uma mulher urbana, bem sucedida e requintada. Os looks geométricos e os vestidos metálicos são dois dos muitos destaques que se poderiam fazer do desfile. Em termos de casacos são de outro mundo, nomeadamente o vison cintado e o blusão caramelo revestido a pêlo. Acima de tudo, é uma colecção com movimento, as peças não são rígidas, são vestíveis, existe variedade nas propostas: trench coat, vestidos curtos e compridos, malas, botins, botas, caudas, luvas. Nuno Baltazar mostra ter um enorme talento para criar e perceber o que uma mulher pode e deve usar, assim como vai ficando cada vez melhor a cada colecção que apresenta. Vejo estas propostas a um nível internacional e foi, de todas as colecções femininas, a minha preferida, não deixando de referir a menção honrosa do Ricardo Preto que também foi genial.


DINO ALVES
COLECÇÃO FEMININA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Os estilhaços que inspiraram o Dino Alvez para esta colecção traduzem-se literalmente em peças geométricas, dominadas por linhas rectas que equilibram os opacos e as transparências, assim como o contraste de tons utilizados. O criador português apostou no preto, branco, cinzento e cor de tijolo para os looks. De uma colecção variada com vestidos, calças e camisas, são sem dúvida estas últimas que merecem o destaque pela confecção e pelo design que é bastante actual e moderno. As silhuetas são marcadas, as cinturas subidas, a existência de pregas em determinados coordenados e apesar de não ter sido das minhas colecções favoritas, devo considerar que tem coesão e personalidade.

COLECÇÃO MASCULINA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Para homem, Dino Alves seguiu a mesma ligação da colecção feminina. As peças são construídas com tecidos de diferentes cores. Os visuais não são muito formais, mas têm um toque de classe nas camisas, com colarinhos absolutamente perfeitos, e depois um lado mais casual com os ténis. Para além das camisas temos também as calças num corte mais intemporal e afunilado. Gosto especialmente das cinzentas. Foi uma colecção equilibrada mas que não me fazia perder a cabeça, de todo.


RICARDO DOURADO
COLECÇÃO FEMININA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
Dark foi sem dúvida o termo que eu retiraria da colecção Outono/Inverno que o Ricardo Dourado apresentou na ModaLisboa. Peças predominantemente de cor preta, com alguns apontamentos em branco, amarelo torrado, tijolo e coral. Sabemos que é difícul fazer uma colecção inteiramente escura e ao mesmo tempo genial. Foi um risco que o criador correu e foi mais do que bem sucedido. O Ricardo Dourado é um caso que já me tinha surpreendido bastante na anterior edição da ModaLisboa quando apresentou uma colecção Primavera/Verão que para mim esteve irrepreensível. Diria que é uma colecção de layers, há várias camadas, peças engenhosas com tiras e transparências, criações com uma clara tónica no efeito esvoaçante. Daria especial destaque aos casacos e vestidos com um corte vanguardista e diferente de tudo aquilo que tenho visto para as tendências da próxima estação fria. Creio que o Ricardo Dourado conseguiu criar um estilo icónico e muito próprio, roupas vestíveis, os materiais bem escolhidos e gosto especialmente de um casaco com um tecido scuba, de fato de mergulho. Já tive um casaco desse tecido há alguns anos e adorava o efeito que fazia, porque era muito estruturado e tinha volume próprio. Em síntese, para mim esta colecção merece especial atenção porque é a prova de que a moda portuguesa está num outro nível.

COLECÇÃO MASCULINA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
No que diz respeito à colecção masculina do Ricardo Dourado, foram apenas apresentados estes quatro looks. Eu gostei mas senti falta de mais, senti vontade de ver mais, confesso. Estas propostas são boas mas foram um aperitivo para algo que não veio. A tónica continua nos tons negros, alguns apontamentos de cor. Destaque para a camisola estruturada do segundo look que tem um recorte no tecido que ganha vida com a cor forte que está dentro. Gosto da ideia. Também gostei dos sapatos. Fico ansiosamente à espera da próxima colecção, na expectativa de que haja mais visuais masculinos.


NUNO GAMA
Imagens: Arquivo ModaLisboa / Fotografia Rui Vasco
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