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Thursday, November 28, 2013

Music roundup #8 - Lady Gaga "ARTPOP"


Era dos álbuns mais esperados do ano, senão o mais esperado. Depois de ter gerado tanto hype em torno de ARTPOP, Lady Gaga lança "Applause", o 1º single do seu 3º álbum de estúdio. A música embora seja catchy não alcançou o sucesso desejado, pelo menos para o calibre da cantora em questão nem para o investimento que a discográfica fez para a promoção do disco.
Talvez o mal de "Applause" tenha sido o facto de ser uma canção com a qual o ouvinte não se identifica, é uma canção da perspectiva do artista e perde-se a mensagem, que noutros êxitos passados de Gaga foi fundamental.
Depois de um mini concerto no iTunes Festival, em Londres, Lady Gaga começou um countdown a lançar semanalmente 1 música até à data de venda de ARTPOP. O que seria supostamente o 2º single "Venus" foi rejeitado, em detrimento de "Do What U Want", dueto com o cantor de R. Kelly. Esta música alcançou o #1 no iTunes de mais de 80 países e é talvez a melhor canção que ela compôs desde o "Edge Of Glory". Por último, foi lançada a belíssima balada "Dope", que para além de ser uma música fortíssima mostra a habilidade vocal e lírica de Gaga. Talvez uma das minhas favoritas de todo o álbum.


ARTPOP falha em alguns aspectos. Embora seja uma obra diversa e versátil, onde Lady Gaga demonstra a sua paixão pela cultura pop e pelo mundo do espectáculo, é também um trabalho pouco coeso. Em termos de sonoridade, a artista norte-americana já foi mais inventiva e vanguardista. Ao ouvir o álbum todo fui identificando trechos de músicas de outros artistas aqui e ali, como por exemplo "MANiCURE", cujo beat me trouxe imediatamente à cabeça "My First Kiss" dos 3OH!3.


O álbum abre com "Aura", um turbilhão de sons que tornam a faixa demasiado 'barulhenta', juntando a roborização da voz que resulta num total desastre. O beat dance-pop segue-se em "Venus" cujo pre-refrão é bem viciante "take me to your planet / take me to your venus". De resto a música pouco tem de valorativo, parece ter sido construída em retalhos e isso chega a aborrecer a uma determinada altura. Com "G.U.Y." as coisas melhoram, os sintetizadores dão uma ambiência sexy enquanto Gaga diz que quer ser a "girl under you that makes you cry" mas o clímax sexual vem em "Sexxx Dreams", a música bebe inspiração no pop dos anos 80 e é uma fan favorite para ser um futuro single. Eu adoro, principalmente o refrão "damn you were in my sex dreams, doing really nasty things", completamente radio friendly e mostrando mais uma vez a capacidade que Lady Gaga tem para conceber hits!


"Jewels & Drugs" marca um corte total com o pop electrónico e introduz Gaga ao mundo do hip-hop com três presenças pesadas: T.I., Twista e Too $hort. Eu simplesmente adoro vibe gangster desta música. "Artpop" é uma música flatline e que falha redondamente na mensagem, demasiado na perspectiva do artista, criando pouco elo com o ouvinte, enquanto que a amarga "Swine" aposta na agressividade do beat e das lyrics ". Segue-se uma insípida homenagem a "Donatella", designer responsável pela Versace, "I am so fab, check out, I'm blonde, I'm skinny, I'm rich and I'm a little bit of a bitch", uma canção divertida que se liga com a sucedânea "Fashion!", uma produção de David Guetta que me fez lembrar a música "Digital Love" lançada pelos Daft Punk em 2001. "Mary Jane Holland" é a prima afastada de "G.U.Y." e podem-se perguntar, quem é essa pessoa? Ora bem, ao que parece Lady Gaga criou este alter-ego que gosta de fumar erva... até tem a sua piada. Para o fecho do álbum, para além da incrível "Dope", temos a adorável "Gypsy" que de certa forma consiste num desabafo da cantora acerca vida nómada que é andar em digressão do mundo e compara isso à mítica vida cigana.


Em suma, ARTPOP é um agradável álbum pop, eu que não sou fã de Gaga gostei de algumas músicas e considero isso uma vitória. Ainda assim, eu esperava que ela me surpreendesse mais musicalmente ao invés de continuar a exagerar nas indumentárias com que geralmente aparece em público. Interessante é também esta associação de Gaga à arte, como por exemplo o trabalho da capa do CD feito por Jeff Koons, se bem que se a ideia é educar a audiência, o que acontece a 90% das pessoas é "que raio é o Koons?".
ARTPOP tem uma aplicação interactiva que pode ser descarregada online e para além disso a versão deluxe vem com o concerto completo dado durante o iTunes festival. Sem dúvida, um trabalho completo que agradará os fãs da música pop em geral. As vendas durante a primeira semana ficaram muito abaixo do esperado, mas pode ser que com futuros singles o álbum estabilize e consiga dar retorno ao grande investimento que foi feito em nome da música, da arte e de Lady Gaga.

Monday, November 11, 2013

Music Roundup #7


Esta semana venho dar-vos a conhecer dois novos lançamentos que têm andado a rodar no meu iPod. São propostas completamente diferentes mas para diversos gostos, um mais alternativo outro mais comercial. Hope you like it!

LORDE "PURE HEROINE"

Entrei no carro e pus "Pure Heroine" no cd player. A minha mãe perguntou-me "Quem é?", ao que eu respondi "É a Lorde!", a minha mãe "Não sei.", eu "Sabes sim mãe, é a que canta o Royals" e comecei a trautear a canção and we'll never be royals, royals...
A verdade é que a artista neozelandesa era uma desconhecida até há muito pouco tempo. Foi o hit "Royals" que a tornou #1 em todo o mundo e a este sucesso inesperado seguiu-se o álbum "Pure Heroine", uma colecção de 10 canções que balançam entre o folk, pop e electrónico.
Já a meio do cd a minha mãe disse "ela tem voz de menina mimada!", eu não sei se o é mas a Lorde acabou de completar 17 anos e não é por isso que deixa de ser compositora das suas próprias músicas com sonoridades suaves, quase minimalistas, e com letras inteligentíssimas. "Tennis Court", "Team" e "Buzzcut Season" são sem dúvida as minhas preferidas. 
Apesar da Lorde já ter andado a falar mal de uma meia dúzia de celebridades com as quais não se identifica, eu cá diria que se a Lana Del Rey e a Sky Ferreira tivessem uma filha seria a Lorde. Agora fora de brincadeiras, deixo-vos com o vídeo (um pouco creepy!) de "Tennis Court".




THE WANTED "WORD OF MOUTH"

Os rapazes da banda britânica/irlandesa The Wanted costumam ser apontados como  principais rivais dos One Direction embora não tenham nada a ver quer em termos musicais quer em termos comerciais. Depois do hit mundial "Glad You Came", o grupo foi para estúdio gravar um novo trabalho.
"Word of Mouth" é o terceiro álbum dos cinco rapazes que conseguem sempre lançar músicas 100% pop. Refrões que se mudam de malas e bagagens para a cabeça de qualquer um. Lembro-me perfeitamente de ficar dias e dias com a melodia de "I Found You"  e "Chasing The Sun" a ecoar através dos meus lábios. Estes dois singles foram a perfeita introdução para "Word of Mouth". O dance-pop assume-se como permanente e os beats electrónicos são confortados por sintetizadores, nítido em "Summer Alive" ou "Glow In The Dark", uma fórmula perfeitamente radio friendly. O também single "Walks Like Rihanna" é das músicas mais catchy do disco, ou não fosse produzida pelo grande hitmaker Dr. Luke e o seu parceiro Cirkut.
Em suma, os rapazes apresentam um trabalho coeso em que também existem momentos menos upbeat e onde demonstram a vulnerabilidade como por exemplo "Love Sewn" e "Heartbreak Story". Os rapazes têm uma excelente capacidade vocal, principalmente o Siva Kaneswaran com uma voz atabacada e de registo grave que se destaca bastante. Aqui fica o vídeo do single "We Own The Night", enjoy!

Monday, October 21, 2013

Music Roundup #6 - Katy Perry "PRISM" review


Finalmente. Já chegou o novo álbum da Katy Perry. Depois do sublime "Teenage Dream" em 2010, a artista norte-americana rompeu o noivado com o Russel Brand, viajou, começou uma relação com o também músico John Mayer e com tanta bagagem começou a escrever material para o seu novo trabalho intitulado "PRISM".
Neste prisma, Katy prometeu aos fãs uma diversidade de sonoridades, tal como os ângulos, faces, reflexos da lapidada figura geométrica. Consegue fazê-lo na perfeição, sem fugir à sua essência e àquilo que a tornou uma superstar acima de tudo. 


Para mim este foi um dos álbuns mais esperados do ano. Só o nome Katy Perry traz-me recordações, não só porque estive presente em ambos os concertos que ela deu em Portugal, mas também porque "Teenage Dream" é a minha música favorita de todo o sempre. Em "Prism", a Katy tornou-se definitivamente pop, deixando as suas raízes acústicas e mais rockeiras do 1º álbum para trás. O CD abre com "Roar", um verdadeiro smash hit que dispensa apresentações. É um começo ideal, possante e com lyrics inspiradoras. O vídeo então foi um estrondo, mas isso já sabem que eu adorei porque já falei dele noutras núpcias.
De seguida temos "Legendary Lovers" e eu assustei-me, primeiro porque não gostei muito da música, achei muito cheesy e pensei... "realmente isto é uma sonoridade nova para a Katy, mas não tenho a certeza se a quero ver a fazer disto", um beat meio indiano/arábico com elementos electrónicos enquanto fala sobre a fantasia de um amor lendário e perfeito. Tudo muito bollywoodesco... e depois "Birthday", uma canção divertida, com um feel muito upbeat, consigo ouvir alguns elementos throwback, bastante ao estilo do que o Bruno Mars tem feito. Não me surpreendeu, mas novamente mais uma cor para juntar a este arco-íris. E o que me dizem de "Walking On Air"? A Katy já tinha lançado esta música como promotional single e mal ouvi, percebi logo que ela quis recuperar o disco dos anos 90, vejo-o como uma versão moderna do "I Will Survive" da Gloria Gaynor.


Agora chegamos à minha canção preferida, e 2º single do álbum, "Unconditionally". Não tenho palavras, desde a voz suave e penetrante acompanhada por um beat muito ao estilo Dr. Luke/Max Martin... esta dupla de produtores responsáveis pela produção executiva do álbum e de outros êxitos passados de Perry. Uma love song arrebatadora.


Em "Dark Horse", Katy Perry decide ir mais r&b/hip-hop com o feature do rapper Juicy J. É outra das minhas músicas favoritas do álbum... e para mim tem que ser single obrigatoriamente! O instrumental fez-me lembrar em algumas partes o hit "Gangster's Paradise" do Coolio. Adoro, o bass da música... já a ouvi no meu carro em volume máximo e é crazy! Amo. A Katy volta a surpreender com a faixa seguinte "This Is How We Do"... novamente uma voz masculina e grave (ao estilo "We Can't Stop" da Miley Cyrus), marca o compasso desta canção. Outra que para mim tem de ser single, já estou a imaginar um vídeo... um verdadeiro hino de saídas à noite... digam-me lá que estas não são as melhores lyrics ever: "This is how we do/Chillin', laid back, straight stuntin', yeah we do it like that / This one goes out to all the ladies at breakfast in last night's dress. I see you". Genial!
"International Smile" é a música mais genérica e dispensável de "PRISM". Next... o fim de uma relação é relatada em "Ghost", muito etérea e sem dúvida uma break up song, imagino que muitas pessoas se vão identificar com a letra.
O fecho do álbum aproxima-se com a vulnerabilidade de "Love Me" ao dizer "I want you to love me" e depois a fantástica "This Moment", uma balada que recupera elementos sonoros dos anos 80, aqui Katy quer aproveitar o agora com o loved one dela. Muito cute e romântica.


"Double Rainbow" é a penúltima música de "PRISM" e foi composta por Sia, também responsável por muitos hits. No entanto, apesar do título colorido, a música é muito sincopada e num registo menos upbeat e mais midtempo. A versão standard do álbum termina com a belíssima balada "By The Grace Of God". Apenas acompanhada por um piano e com uma voz muito crua e natrual, Katy volta às raízes do Christian Pop com o qual começou a sua carreira como vocalista, sob o nome de Katy Hudson.


Não me esqueço da versão deluxe que pouco acrescenta ao álbum. "Spiritual" composta por John Mayer, mantém-se na sonoridade midtempo da segunda metade do álbum, assim como a fantástica "It Takes Two" co-escrita por Emeli Sandé e produzida por Stargate e Benny Blanco, responsáveis pelo smash "Firework". O fecho fica a cargo de "Choose Your Battles", onde a guerra é uma metáfora do amor e a sonoridade marca-se pelas batidas que parecem de tambores, de uma marcha militar. 
É por este body of work sublime que Katy Perry se solidifica como um dos valores indispensáveis do pop actual, prova disso é que "PRISM" já é #1 em 69 países. Quando é que os vossos faves vão conseguir uma proeza destas? Han? Pois! 

HOT: "Unconditionally", "This Is How We Do", "Dark Horse" e "Roar"
NOT: "Legendary Lovers" e "International Smile"
REVIEW: 8/10

Wednesday, September 25, 2013

Music Roundup #5


Rizzle Kicks pode ser um nome novo para alguns de vocês porque não circula nos meios mainstream. No entanto, vale bem a pena e por isso venho falar-vos deles aqui. Rizzle Kicks é um duo de hip-hop britânico. Associo sempre a sonoridade aos Beastie Boys, mas claro diferente e muito própria. É um rap acompanhado por guitarras, trompetes e bastante alternativo mas delicioso e fresh. É dos projectos musicais mais refrescantes que tenho ouvido nos últimos tempos! Lyrics inteligentes e beats sofisticados.
"Roaring 20's" é assim o segundo álbum de estúdio dos Rizzle Kicks e foi produzido por Ant Whiting (que já trabalhou com M.I.A.) e Fatboy Slim. Outro dos colaboradores neste disco foi o cantor Jamie Cullum, que co-escreveu 2 canções e deu voz a uma delas, "The Reason I Live", um dos highlights. Para além dessa, tenho também nas minhas preferências "That's Classic" e "Skip To The Good Bit" (cliquem para ouvir!!!) que tem o sampler da música "You're Unbelievable" dos EMF (tive reminiscências do filme "Coyote Ugly"... cena da dança do bar, anyone?!). Ahaha fora de devaneios, "Roaring 20's" teve como primeiro single "Lost Generation", que chegou a atingir o #6 nas tabelas do Reino Unido. Vejam o vídeo desta excelente música!




Naughty Boy é o nome artístico de Shahid Khan, produtor e músico britânico que lança agora o seu álbum de estreia "Hotel Cabana". A sonoridade deste trabalho é ecléctica, desde R&B e hip-hop até ao pop... mas vocês neste momento devem questionar-se de onde surge este artista porque são poucos os que já ouviram falar de Naughty Boy, certo? Ora bem, enquanto produtor já trabalhou com nomes como Rihanna, Leona Lewis, Jennifer Hudson, Cheryl Cole... e mais recentemente diz-se que está envolvido no novo disco de Britney Spears juntamente com o também produtor William Orbit. Com um currículo destes, só podíamos esperar o melhor e é precisamente isso que o aclamado "Hotel Cabana" nos oferece.
Naughty Boy apresenta-nos uma colecção de músicas memoráveis e que qualquer um irá querer ter no iPod as soon as possible. Garanto-vos! Este hotel recebe também hóspedes ilustres como não podia deixar de ser: Emili Sandé, Wiz Khalifa, Ed Sheeran, Bastille e Tinie Tempah. Alguns dos meus cuts preferidos incluem "Hollywood", "Wonder" e "Pluto". A junção de diferentes vozes com beats meticulosamente criados por Naughty Boy é um dos segredos de sucesso de "Hotel Cabana", desde baladas a tracks mais agressivas, encontra-se de tudo um pouco em cada um dos 'quartos'. É radio-friendly mas não excessivamente ao ponto de se esgotar em meia dúzia de plays. Pelo contrário, quanto mais ouvimos mais vamos descobrindo e gostando. 
Para terminar, óbvio que não vos podia deixar de falar do #1 hit de Naughty Boy que está a tocar pelas rádios de todo o mundo: "La La La"... às tantas já tinham ouvido e não sabiam de quem era, admitam lá! Agora já sabem... ;)

Saturday, July 27, 2013

Music Roundup #4


Depois de ter sido pai, Kanye West deu à luz um novo álbum. "Yeezus" é o mais recente trabalho do polémico rapper norte-americano que cada vez mais opta por uma sonoridade experimental.
"Yeezus" foi gravado entre Nova Iorque e Paris, esta última cidade onde Kanye também tem um apartamento. Diz-se que foi diversas vezes ao Museu do Louvre para se inspirar na criação do álbum... Não sei até que ponto a arte o inspirou, a verdade é que este disco mistura diversos elementos como acid house e industrial music, ainda utiliza samplers como por exemplo o de "Strange Fruits" de Nina Simone num dos cuts mais interessantes, "Blood on the Leaves". Liricamente, Mr. West tem vindo a tornar-se cada vez mais agressivo e obscuro, obviamente que a vida luxuosa e o racismo são temas constantes e recorrentes. 

"My momma was raised in the era when / Clean water was only served to the fairer skin"

"You see there's leaders and there's followers / But I'd rather be a dick than a swallower"

"They see a black man with a white woman / At the top floor they gone come to kill King Kong"

"So hurry up with my damn massage / In a French-ass restaurant / Hurry up with my damn croissants"

Esta dark vibe acentuou-se desde que o rapper perdeu a mãe, creio eu. Pelo menos é assim que tenho observado a sua discografia e eu sou seguidor desde o início.
Um dos detalhes interessantes e que não escapou certamente à visão de Kanye foi a cópia física do CD, que não tem qualquer tipo de artwork, é simplesmente uma caixa, transparente, com o CD e uma fita adesiva encarnada. Weird much?!?!?!?


Durante 10 faixas, Kanye West mostra como está possante, potente e barulhento... existe um feeling minimalista, perfeccionista de alguém obsessivo-compulsivo que tenta apurar o seu som ao máximo, sem no entanto deixa de ter grandes beats. Na produção de "Yeezus", o rapper teve a ajuda dos Daft Punk e fugiu à sonoridade comercial. Faz o que quer, não tem nada que provar a não ser a si próprio. Não tem sido fácil superar-se e, embora tenha aquele temperamento impulsivo e difícil, Kanye é um dos génios da música moderna. O álbum tem também participações vocais de Justin Vernon (vocalista de Bon Iver), Charlie Wilson, Kid Cudi e Frank Ocean, sem no entanto serem features.


O 1º single "Black Skinhead" é uma das minhas músicas de eleição (com um vídeo bem estranho!!!!), juntamente com "I Am a God" e "New Slaves". Todavia, a minha grande favorita é "I'm In It" com Justin Vernon e o DJ de dancehall jamaicano Assassin. O instrumental é crazy e a mistura de vozes dos 3 fica excelente.
Se querem hip-hop com sintetizadores, elementos electrónicos, industrial rock, post-punk e rap, então têm aqui a proposta perfeita! Kanye West está a redefinir a música, está a redefinir géneros e esta dissonância aparente cria o conceito de "Yeezus". Afinal, Mr. West está a nomear-se Jesus da música, da sua música e à sua maneira.
I just talked to Jesus
He said, "What up Yeezus?"
I said, "Shit I'm chilling
Trying to stack these millions"

Wednesday, June 26, 2013

Music roundup #3


O Verão chegou e com ele trago 2 novas propostas musicais. Temos sonoridades para todos os gostos, para quem gosta de rock e para quem está mais virado para o dance/pop/hip-hop, ou até para quem seja mais ecléctico e goste um pouco de tudo. Thirty Seconds to Mars e Will.I.Am estão de volta com novos trabalhos. Fica a conhece-los.

"Love Lust Faith + Dreams" é o nome do novo álbum da banda norte-americana. Jared Leto, Shannon Leto e Tomo Miličević estiveram em estúdio desde meados de 2012 para nos trazer mais uma colecção de faixas inéditas e espectaculares, devo dizer! O som característico dos 30 Seconds está lá, a força vocal e alguma orquestração em diversos momentos como a abertura "Birth" ou o fecho "Depuis Le Début". O quarto LP da banda tem apenas 12 faixas e soube-me a pouco, quando terminei de ouvir o disco eu queria mais músicas, no entanto a qualidade está assegurada. O rock orgânico e cru está miscigenado com nuances electrónicas e vozes em coro, tal como a banda já nos tem vindo a habituar desde o "This Is War".
"Love Lust Faith + Dreams" é um concept album acima de tudo, estes 4 temas organizam 4 segmentos do álbum e eles são assinalados por uma voz feminina que anúncia cada uma das palavras aquando do começo de músicas que vão estar de acordo com o tema. "City Of Angels", "Conquistador", "Do Or Die" e "Northern Lights" são alguns dos destaques que faço a par do single de apresentação do álbum "Up In The Air". A canção foi enviada para a NASA e foi o primeiro single comercializado a ir para o espaço num foguetão... literalmente "in the air". Vejam o incrível vídeo para a canção e se são fãs de bom rock, têm aqui uma óptima proposta para este Verão!




E agora vamos ao Will.I.Am. O fundador dos Black Eyed Peas regressou ao mercado discográfico com um álbum colaborativo, contemporâneo e onde a produção está no ponto. "This Is Love" foi o single que deu a conhecer "#willpower" ao mundo, uma colaboração com Eva Simons e que teve um sucesso mediano. Todavia, a explosão veio quando a princesa da pop Britney Spears uniu as forças com Will.I.Am para "Scream & Shout". A música contém o sampler universal "it's Britney, bitch!" e foi um sucesso instantâneo. Uma pequena amostra do que nos reserva todo o álbum. 
Músicas com uma forte vertente electrónica e dance, onde o Will.I.Am vai lançando os seus melhores versos. Dos vários nomes incontornáveis do álbum temos o fenómeno Justin Bieber, Miley Cyrus, Chris Brown e a girlsband sul coreana 2NE1. Para além disso, o pop vem de mãos dadas com o hip-hop em faixas como "Geekin'" ou "Ghetto Ghetto". Quanto às minhas favoritas são sem dúvida "Scream & Shout", "Fall Down", "Gettin' Dumb", "#thatPOWER" e "Let's Go". No fundo, é um álbum muito fresco e preparado para pôr a dar bem alto num carro, perfeito para saídas à noite ou idas para a praia, ou não fossem as faixas produzidas pelos nomes mais dominantes e fortes da indústria: Dr. Luke, Benny Blanco, Cirkut, Free School, Afrojack, Sebastian Ingrosso e claro Will.I.Am. Power to the hashtags!!!! #slay #soundtrackofthesummer #smash #yeah
Deixo-vos com o remix muito hip-hop de "Scream & Shout" e que é das minhas obsessões musicais deste ano... #orgasmic

Sunday, April 21, 2013

Music roundup #2



Luisa Sobral "There's A Flower In My Bedroom"

Lembro-me perfeitamente de estar no recreio e ver a Luísa Sobral... ela era mais velha e andava no mesmo colégio que eu. Foi precisamente por essa vaga lembrança que a reconheci quando participou no programa Ídolos. Parece que aconteceu tudo tão de repente e agora ela já está a lançar o segundo álbum.
"There's A Flower In My Bedroom" mostra o amadurecimento artístico da Luísa enquanto artista e intérprete. Se o álbum de estreia traçava um percurso, este segundo trabalho não só o confirma como também apura a sonoridade jazz/folk de uma forma sofisticada e com o cunho marcante da Luísa Sobral. O timbre e tom de voz encaixam lindamente em melodias simpáticas e primaveris. A abertura é perfeita com "I Was In Paris Today", quase como que a acolher o ouvinte e prossegue durante  uma viagem de 17 faixas distintas, onde a Luísa salta entre o inglês e o português... ou até no espanhol em "Cuantas Veces". O single de apresentação é "Mom Says".


A voz delicada da Luísa é tão reconfortante e destaca-se quer nas músicas mais acústicas quer nas mais jazz, nota-se uma clara coesão sonora muito mais desenvolvida e de certa forma orquestrada, com mais layers. "Japanese Rose", "As The Night Comes Along", "What Do You See In Lily?" ou até a colaboração com Jamie Cullum "She Walked Down The Aisle" são favoritas instantâneas. Admito que, ao ouvir o disco, me vieram à mente imagens de uma solarenga Paris, de um romantismo silly, ingénuo, infantil e acima de tudo genuíno. Uma colecção de estórias envolvente e que agradam certamente ao ouvinte mais exigente. "There's A Flower In My Bedroom" conta também com a participação de 2 músicos portugueses de peso, António Zambujo e Mário Laginha, e caracteriza-se por ser um álbum com muita personalidade e vida própria. Orgulho-me de saber que a Luísa é um talento português, almeja os mercados nacional e internacional e tem a qualidade mais do que necessária para cumprir esse objectivo.  Imagino que isso lhe vai dar asas para que, num próximo disco, abra a janela do tal quarto e saia à procura de novas flores e de novas cerejas para, quiçá, fazer um novo bolo e surpreender mais uma vez. Portugal está conquistado e digo isto porque no outro dia passeava pela FNAC e vi que o CD da Luísa Sobral estava em #1. Merecido.



Bridgit Mendler "Hello My Name Is..."

Para muitos de vocês este nome pode não ser familiar mas os amantes da Disney conhecem de certeza. Bridgit Mendler é a protagonista da série "Good Luck Charlie" e como quase todas as starlets da Disney também decidiu lançar um álbum de música para provar que pertence à geração da versatilidade, triple threat! Devo dizer que a Bridgit até se safa muito bem. É um disco 100% pop, sem pretensões, muito genérico mas in a very good way. "Ready Or Not" (ADORO!!!!!!!) é o single que provavelmente já devem ter ouvido nas rádios, pelo menos eu já tinha ouvido diversas vezes, e acreditem quando vos digo que a música fica mesmo no ouvido e depois não conseguimos parar de cantar o refrão. Confiram o vídeo aqui, uma música perfeita para o Verão.
Entretanto, Bridgit Mendler lançou o segundo single "Hurricane". A canção tem uma batida pop upbeat, com versos meio rappados à semelhança da Ke$ha ou até da Cher Lloyd.


"Forgot To Laugh", "Top Of The World" e "Rocks At My Window" são as minhas faixas favoritas, embora goste de todo o CD, que é bastante comercial e catchy. É um album teen, fresco e perfeito para ouvir na praia, na piscina, no carro ou a passear com imenso sol, sempre! :) Quando clicarem play e soarem os primeiros acordes, irão perceber o que vos estou a dizer.
O momento mais introspectivo surge com a balada "Hold On For Dear Love", que encerra o álbum de apresentação de Bridgit Mendler. Ficamos a conhecer mais do que o nome da actriz e cantora, somos introduzidos a uma voz cristalina e limpa, em momentos chega a aproximar-se do registo da Demi Lovato. Eu fiquei surpreso, admito!
A produção ficou maioritariamente a cargo de Emanuel "Eman" Kiriakou que havia trabalhado anteriormente com artistas como Whitney Houston, Backstreet Boys, Vanessa Hudgens e Selena Gomez. O meu veredicto: excelente álbum... se estão aborrecidos e vos apetece um pouco de animação, com letras não muito intensas nem melodramáticas, então "Hello My Name Is..." é a escolha ideal. 

Saturday, March 23, 2013

Music roundup #1



Imagine Dragons "Night Visions"

Para mim os Imagine Dragons são um nome relativamente recente em cena. A verdade é que a banda norte-americana já cá anda desde 2008 mas tinha apenas conquistado destaque no panorama indie com o lançamento de alguns EPs. Foi no final de 2012 que os Imagine Dragons conseguiram finalmente dar à luz aquele que será o primeiro body of work da sua carreira e devo dizer que "Night Visions" foi uma estreia consistente e surpreendente.


O álbum chega agora a Portugal com a rotação máxima de algumas das músicas nas rádios, mas já lá vamos. Primeiro quero explicar-vos como tomei conhecimento dos Imagine Dragons. Estava um dia a ver trailers de filmes no YouTube e um deles era do filme "The Words" e havia uma música muito cool no mesmo. Pus imediatamente o Shazam do meu iPhone a funcionar e descobri "Demons" dos Imagine Dragons. Pelo nome pensei "oh lord deve ser uma banda super gótica e este deve ser a balada mais light deles", enganei-me redondamente. In fact, eles nem são tão indie como os 'vendem', na minha modesta opinião são bem pop-rock! Prova disso é que um dos executive producers de "Night Visions" é Alex da Kid, o homem por detrás de hits como "Love The Way You Lie" do Eminem com a Rihanna ou "Airplanes" do B.o.B com a Hayley Williams. E mais, o Alex da Kid é também produtor de cerca de metade das músicas do último álbum da Christina Aguilera, produziu também para Nicki Minaj e Cheryl Cole. Com tantos nomes conhecidos under his belt, o resultado só podia ser satisfatório.


Fora de burocracias, "Night Visions" abre de uma forma forte e pujante com a drum-driven "Radioactive". Uma sonoridade suave introduz um beat que chega a ter vestígios de underground hip-hop com alternative rock. A banda diz-nos "Welcome to the new age...". A promessa fica feita e cumpre-se no prosseguimento do álbum. "Tiptoe" abre caminho com um refrão muito catchy e claramente pop-ish "Hey yeah, tiptoe higher", a versão masculina de uma Kelly Clarkson, diria eu. Nada desprestigiante, até pelo contrário. Chega-nos depois "It's Time", o primeiro single do álbum e um top 20 hit nos Estados Unidos. Esta é daquelas canções pelas quais nos apaixonamos imediatamente, o espírito folk do instrumental e um refrão mais rockeiro fazem a combinação perfeita. E até agora prova-se o eclectismo musical da banda.


"Demons", uma das minhas faixas predilectas, equilibra de uma forma perfeita uma sonoridade radio friendly, com meaningful lyrics e uma performance vocal excelente. "On Top Of The World" é um verdadeiro smash, grita hit por todos os acordes, e pelo menos em Portugal já o é. Devem ter ouvido a canção no anúncio da Vodafone RED. É uma música upbeat, alegre, com palmas, pandeiretas, batuques, assobios... o refrão coral e toda a composição é muito orgânica e natural. Sem dúvida uma das melhores do álbum, espero que não seja estragada por se ouvir demasiado na televisão e nas rádios. É do conhecimento geral que muitas vezes determinadas músicas boas enjoam devido a anúncios publicitários e afins. De qualquer forma, é uma feel good song. Adoro adoro! Por outro lado, "Amsterdam" contrasta um pouco porque é uma sonoridade já explorada por diversas bandas out there, uma degeneração de um leftover dos Kings of Leon. O típico midtempo rock com uma melodia melancólica, no entanto a performance vocal está on point. "Hear Me" também não é dos momentos mais inspirados do álbum pelas mesmas razões acima, muito Kings-of-Leon-meet-30-Seconds-to-Mars, mas ainda assim minimamente positivo e que se entranha facilmente. A contrastar, "Every Night" ataca logo com o refrão num coro contagiante pela repetição de "I'm coming home to you every night, every night, every night". Gosto do facto de se conseguir perceber as várias facetas da voz do vocalista Dan Reynolds. A sonoridade ganha mais uma vez pulsão orgânica e vibrante em "Bleeding Out", como que uma evolução de "Radioactive". A temática do sofrimento que advém de sentimentos é recorrente here and there, mas funciona, principalmente neste "Bleeding Out" que termina numa melodia mais metálica e em aberto.


Com "Underdog", os Imagine Dragons tentam explorar e experimentar um pouco no campo electrónico, ao estilo dos britânicos Hot Chip. Porém, o vínculo não é tão purista e sim mais inclinado para o pop-rock. Não sendo das minhas preferidas, acho piada a estas músicas de valorização pessoal, a banda canta "I love to be the underdog", gostam de ser os "oprimidos", aqueles que ninguém dá nada por eles, que passam despercebidos mas ao mesmo tempo dão o impulso de que se pode a todo o momento revelar precisamente o contrário. A típica música de glorificação da diferença, "Firework" está para a Katy Perry assim como "Underdog" está para os Imagine Dragons. Entenderam a ideia não é?! Assim se aproxima o fechar do álbum com "Nothing Left To Say/Rocks" um medley que não se justificava. "Nothing Left To Say" é uma música potente e com um certo dramatismo melódico que nada tem a ver com o regresso mais folk de vozes ecoadas em "Rocks", que dura apenas 2 minutos. De qualquer modo, o encore do álbum compensa qualquer percalço. "Cha-Ching (Till We Grow Up)" é deliciosa. Um som de guitarra perdido ganha fulgor com um grito "hey" aparentemente dito por um grupo de crianças, a música arranca sincopadamente e a melancolia torna-se numa explosão positiva do refrão, quase num sing-along contagiante. Como se fosse um impulso, um wake up call a avisar que devemos lutar para fazer as coisas acontecerem, a vida está a decorrer a cada momento e temos de ser trabalhadores, soldados até, "You've got to live your life/ while your blood is boiling/ these doors won't open/ while you stand and watch them". Beautiful inspiring lyrics! Quando chegamos ao fim do álbum parece que nos soube a pouco... "Working Man" é a conclusão ideal. As vozes em coro reúnem-se para mais uma canção inspiradora e com uma mensagem muito positiva, "Shake it, shake it/ and we're moving again"... o caminho termina e para trás fica uma obra coesa, para todos os estados de espírito, com uma diversidade sonora pautada pelo espírito orgânico, real, onde não há espaço para modificações de voz ou sintetizadores. Sem dúvida uma banda que é capaz de funcionar muitíssimo bem em concerto ao vivo.

(Para quem gostar muito muito muuuuuuuuuito do álbum sempre pode ir explorar ao YouTube as bonus tracks, não acrescentam muito mas são de easy listening. Destaco a "My Fault".)

Veredicto: 4 out of 5 stars