Saturday, January 9, 2010

I can't get you out of my system

Não sei bem por onde começar porque nem sei bem como tudo começou. Pensando bem, acho que nem sequer teve um início. Sei que agora sou diferente do que era. Mudei. Todas as minhas certezas foram abaladas e afinal parece que não me conhecia assim tão bem. Nem sequer sei explicar aquilo que realmente sinto, nem aquilo que quero. Fiquei sem certezas, só dúvidas. Dúvidas que me tiram o sono. Dúvidas que me deixam com saudades. Dúvidas que permanecem e me deixam vulnerável. Sem chão. Sem sol. Sem força.

Perdi a inspiração. As palavras não escorrem, como costumavam escorrer. O brilho dos meus olhos embaciou-se. E agora só me restam as lembranças daquilo que podia ter sido. O coração salta-me pela boca. Frio. Gelado. Vazio. E esteve tão bem guardado durante todo este tempo. Numa caixa. Preta. Escondida. Esquecida. Até ao dia em que ficou grande demais e encontrou a maneira mais improvável de abandonar a caixa.

Não tenho sono. Estou cego. Impaciente. Quero tudo, mas não quero nada. Não sei quem sou. Estou a cair, porque não tenho chão. Estou a cair e não sei quando vou parar. Acho que agora percebo a Alice. E afinal lá porque eu senti não significa que tudo isto exista. Pode ser uma ilusão. Um pesadelo. É possível sermos almas? Almas que se ligam de uma forma tão inteligível que vai para além de tudo aquilo que pensávamos ser certo? Será que se eu fechar os olhos, quando os voltar a abrir ainda vou estar aqui? Preferia pensar que tudo era mais fácil e controlável. Era mais fácil se conseguissemos controlar, ter dentro da palma da mão e conseguir exteriorizar e jogar com os peões. Para ser melhor. Para evitar o pior. Em vez de tudo se desmoronar agora, preferia que se desmoronasse depois. Mas de que vale prolongar a cegueira?

Estou num limbo. Num sítio incerto. Cheguei a pensar que era o purgatório dos sentimentos. Onde dissecaram o coração que outrora havia habitado uma caixa preta dentro de mim. Estou a oscilar entre o estar aqui e o não estar. Entre o que fui e o que me tornei. Estou a cambalear na minha insegurança, na eterna procura daquilo que realmente quero. Sem pensar que muitas vezes o que realmente quero nem sempre é aquilo que é melhor para mim. De facto, prefiro ficar cego. Prefiro não ter direcção. Nem rumo. Só sei que aqui não quero ficar. Posso seguir em frente para o desconhecido. Ou voltar atrás, sabendo que o atrás já não vai ser o mesmo atrás pelo qual passei. Não que esteja diferente, mas porque agora eu estou diferente e sei que vou olhar com outros olhos. Ou nem olhar sequer. Afinal esqueci-me que sou cego. Mas mesmo cego opto por carregar o piano* e chegar à sala errada. O cansaço ensinou-me de que vale sempre a pena.

P.S. Referência final ao texto "Carregar pianos" do blog da Dezperada que passo a citar:

«Carregar pianos. Escada acima, quatro andares sem elevador. As costas doem, os braços tremem, as curvas da escada são uma equação impossível de resolver, tudo é difícil, tudo é esforço, tudo é inglório. E o amor transforma-se numa luta, num sacrifício, somos mártires da nossa loucura, flagelados pela nossa obstinação e teimosia. E o pior é que, quando chegamos ao fim da batalha e o piano está lá em cima, não era aquela sala, nem aquela casa, nem aquela pessoa.» by Dezperada

9 comments:

Anonymous said...

Pleeeeease, get over it! Tanta lamechice junta não fica muito bem a quem se intitula de "realeza".

MafaldaMacedo said...

Gosh, very strong. Adorei!
E muuito obrigada e igualmente, um 2010 carregadinho do melhor :) e espero que aqui continues a publicar, destas maneiras tão tuas, que eu cá gosto bastante de passar por aqui.
Realmente, o frio bem que podia começar a pensar em ir embora. **

paula'maria said...

Não estava à espera de, depois da tua ausência, ler este texto tão sentimentalmente triste... Mas sei que nunca nada dura para sempre, nem que vivemos numa sociedade sem problemas... Mas a culpa são das pessoas, nossas e dos nossos sentimentos.
Sei que sabes o que é melhor para ti :)
Desejo-te força!

E volta com mais textos excêntricos, que te é tão caracteristico :)

um beijinho zé*

Morce said...

Vale sempre a pena. Repete-o 54 vezes ao longo do dia. E sorri, sempre.
Força *

Malinha viajante said...

Até a realeza tem dias assim certo?
Já tinha saudadinhas de te ter por aqui ;) Um óptimo 2010 e muitas alegrias é o que te desejo.
bjs

Mariana said...

todos temos dias menos bons,espero que tudo se resolva,força

bj

TTRoyalty said...

Segunda feira vais ser talk of the town.
Vou querer saber tutti.
Não podes deixar o teu blog abandonado durante tanto tempo, os teus discípulos adoram-te ahah
Big Kiss baby,
you know i love you, right??

Pedro Albuquerque said...

Faço minhas, as palvras da malinha viajante. Acrescento também que isso deve ser por causa das festas e do natal terem chegado ao fim. Parece tudo solidário. Também já estou em aulas por isso o meus amigos tiram esse peso. A verdadeira razão, deve ser que o dinheiro do Natal, já acabou e já não podes comprar nada, como eu!? Será das compras terem ficado suspensas até os teus anos como eu? Ou das coisas lindas que adoravas, estarem em saldos e ainda por cima, o teu número, tamanho já estar escolhido? Ou ainda a nova colecção está muito cara e queres aquilo mesmo? Bem como és da realeza se fores da alta e não baixissima como eu, tens de ter muito dinheiro, assim só o espirito natalicio por ter acabado, é que pode estar a fazer-te mal, ou outra coisa que não adivinho!

Jay said...

a tua maneira de escrever vicia, apetece ficar a ler sem parar. gostei do texto, ja agora. :)