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Sunday, April 21, 2013

Music roundup #2



Luisa Sobral "There's A Flower In My Bedroom"

Lembro-me perfeitamente de estar no recreio e ver a Luísa Sobral... ela era mais velha e andava no mesmo colégio que eu. Foi precisamente por essa vaga lembrança que a reconheci quando participou no programa Ídolos. Parece que aconteceu tudo tão de repente e agora ela já está a lançar o segundo álbum.
"There's A Flower In My Bedroom" mostra o amadurecimento artístico da Luísa enquanto artista e intérprete. Se o álbum de estreia traçava um percurso, este segundo trabalho não só o confirma como também apura a sonoridade jazz/folk de uma forma sofisticada e com o cunho marcante da Luísa Sobral. O timbre e tom de voz encaixam lindamente em melodias simpáticas e primaveris. A abertura é perfeita com "I Was In Paris Today", quase como que a acolher o ouvinte e prossegue durante  uma viagem de 17 faixas distintas, onde a Luísa salta entre o inglês e o português... ou até no espanhol em "Cuantas Veces". O single de apresentação é "Mom Says".


A voz delicada da Luísa é tão reconfortante e destaca-se quer nas músicas mais acústicas quer nas mais jazz, nota-se uma clara coesão sonora muito mais desenvolvida e de certa forma orquestrada, com mais layers. "Japanese Rose", "As The Night Comes Along", "What Do You See In Lily?" ou até a colaboração com Jamie Cullum "She Walked Down The Aisle" são favoritas instantâneas. Admito que, ao ouvir o disco, me vieram à mente imagens de uma solarenga Paris, de um romantismo silly, ingénuo, infantil e acima de tudo genuíno. Uma colecção de estórias envolvente e que agradam certamente ao ouvinte mais exigente. "There's A Flower In My Bedroom" conta também com a participação de 2 músicos portugueses de peso, António Zambujo e Mário Laginha, e caracteriza-se por ser um álbum com muita personalidade e vida própria. Orgulho-me de saber que a Luísa é um talento português, almeja os mercados nacional e internacional e tem a qualidade mais do que necessária para cumprir esse objectivo.  Imagino que isso lhe vai dar asas para que, num próximo disco, abra a janela do tal quarto e saia à procura de novas flores e de novas cerejas para, quiçá, fazer um novo bolo e surpreender mais uma vez. Portugal está conquistado e digo isto porque no outro dia passeava pela FNAC e vi que o CD da Luísa Sobral estava em #1. Merecido.



Bridgit Mendler "Hello My Name Is..."

Para muitos de vocês este nome pode não ser familiar mas os amantes da Disney conhecem de certeza. Bridgit Mendler é a protagonista da série "Good Luck Charlie" e como quase todas as starlets da Disney também decidiu lançar um álbum de música para provar que pertence à geração da versatilidade, triple threat! Devo dizer que a Bridgit até se safa muito bem. É um disco 100% pop, sem pretensões, muito genérico mas in a very good way. "Ready Or Not" (ADORO!!!!!!!) é o single que provavelmente já devem ter ouvido nas rádios, pelo menos eu já tinha ouvido diversas vezes, e acreditem quando vos digo que a música fica mesmo no ouvido e depois não conseguimos parar de cantar o refrão. Confiram o vídeo aqui, uma música perfeita para o Verão.
Entretanto, Bridgit Mendler lançou o segundo single "Hurricane". A canção tem uma batida pop upbeat, com versos meio rappados à semelhança da Ke$ha ou até da Cher Lloyd.


"Forgot To Laugh", "Top Of The World" e "Rocks At My Window" são as minhas faixas favoritas, embora goste de todo o CD, que é bastante comercial e catchy. É um album teen, fresco e perfeito para ouvir na praia, na piscina, no carro ou a passear com imenso sol, sempre! :) Quando clicarem play e soarem os primeiros acordes, irão perceber o que vos estou a dizer.
O momento mais introspectivo surge com a balada "Hold On For Dear Love", que encerra o álbum de apresentação de Bridgit Mendler. Ficamos a conhecer mais do que o nome da actriz e cantora, somos introduzidos a uma voz cristalina e limpa, em momentos chega a aproximar-se do registo da Demi Lovato. Eu fiquei surpreso, admito!
A produção ficou maioritariamente a cargo de Emanuel "Eman" Kiriakou que havia trabalhado anteriormente com artistas como Whitney Houston, Backstreet Boys, Vanessa Hudgens e Selena Gomez. O meu veredicto: excelente álbum... se estão aborrecidos e vos apetece um pouco de animação, com letras não muito intensas nem melodramáticas, então "Hello My Name Is..." é a escolha ideal. 

Saturday, March 23, 2013

Music roundup #1



Imagine Dragons "Night Visions"

Para mim os Imagine Dragons são um nome relativamente recente em cena. A verdade é que a banda norte-americana já cá anda desde 2008 mas tinha apenas conquistado destaque no panorama indie com o lançamento de alguns EPs. Foi no final de 2012 que os Imagine Dragons conseguiram finalmente dar à luz aquele que será o primeiro body of work da sua carreira e devo dizer que "Night Visions" foi uma estreia consistente e surpreendente.


O álbum chega agora a Portugal com a rotação máxima de algumas das músicas nas rádios, mas já lá vamos. Primeiro quero explicar-vos como tomei conhecimento dos Imagine Dragons. Estava um dia a ver trailers de filmes no YouTube e um deles era do filme "The Words" e havia uma música muito cool no mesmo. Pus imediatamente o Shazam do meu iPhone a funcionar e descobri "Demons" dos Imagine Dragons. Pelo nome pensei "oh lord deve ser uma banda super gótica e este deve ser a balada mais light deles", enganei-me redondamente. In fact, eles nem são tão indie como os 'vendem', na minha modesta opinião são bem pop-rock! Prova disso é que um dos executive producers de "Night Visions" é Alex da Kid, o homem por detrás de hits como "Love The Way You Lie" do Eminem com a Rihanna ou "Airplanes" do B.o.B com a Hayley Williams. E mais, o Alex da Kid é também produtor de cerca de metade das músicas do último álbum da Christina Aguilera, produziu também para Nicki Minaj e Cheryl Cole. Com tantos nomes conhecidos under his belt, o resultado só podia ser satisfatório.


Fora de burocracias, "Night Visions" abre de uma forma forte e pujante com a drum-driven "Radioactive". Uma sonoridade suave introduz um beat que chega a ter vestígios de underground hip-hop com alternative rock. A banda diz-nos "Welcome to the new age...". A promessa fica feita e cumpre-se no prosseguimento do álbum. "Tiptoe" abre caminho com um refrão muito catchy e claramente pop-ish "Hey yeah, tiptoe higher", a versão masculina de uma Kelly Clarkson, diria eu. Nada desprestigiante, até pelo contrário. Chega-nos depois "It's Time", o primeiro single do álbum e um top 20 hit nos Estados Unidos. Esta é daquelas canções pelas quais nos apaixonamos imediatamente, o espírito folk do instrumental e um refrão mais rockeiro fazem a combinação perfeita. E até agora prova-se o eclectismo musical da banda.


"Demons", uma das minhas faixas predilectas, equilibra de uma forma perfeita uma sonoridade radio friendly, com meaningful lyrics e uma performance vocal excelente. "On Top Of The World" é um verdadeiro smash, grita hit por todos os acordes, e pelo menos em Portugal já o é. Devem ter ouvido a canção no anúncio da Vodafone RED. É uma música upbeat, alegre, com palmas, pandeiretas, batuques, assobios... o refrão coral e toda a composição é muito orgânica e natural. Sem dúvida uma das melhores do álbum, espero que não seja estragada por se ouvir demasiado na televisão e nas rádios. É do conhecimento geral que muitas vezes determinadas músicas boas enjoam devido a anúncios publicitários e afins. De qualquer forma, é uma feel good song. Adoro adoro! Por outro lado, "Amsterdam" contrasta um pouco porque é uma sonoridade já explorada por diversas bandas out there, uma degeneração de um leftover dos Kings of Leon. O típico midtempo rock com uma melodia melancólica, no entanto a performance vocal está on point. "Hear Me" também não é dos momentos mais inspirados do álbum pelas mesmas razões acima, muito Kings-of-Leon-meet-30-Seconds-to-Mars, mas ainda assim minimamente positivo e que se entranha facilmente. A contrastar, "Every Night" ataca logo com o refrão num coro contagiante pela repetição de "I'm coming home to you every night, every night, every night". Gosto do facto de se conseguir perceber as várias facetas da voz do vocalista Dan Reynolds. A sonoridade ganha mais uma vez pulsão orgânica e vibrante em "Bleeding Out", como que uma evolução de "Radioactive". A temática do sofrimento que advém de sentimentos é recorrente here and there, mas funciona, principalmente neste "Bleeding Out" que termina numa melodia mais metálica e em aberto.


Com "Underdog", os Imagine Dragons tentam explorar e experimentar um pouco no campo electrónico, ao estilo dos britânicos Hot Chip. Porém, o vínculo não é tão purista e sim mais inclinado para o pop-rock. Não sendo das minhas preferidas, acho piada a estas músicas de valorização pessoal, a banda canta "I love to be the underdog", gostam de ser os "oprimidos", aqueles que ninguém dá nada por eles, que passam despercebidos mas ao mesmo tempo dão o impulso de que se pode a todo o momento revelar precisamente o contrário. A típica música de glorificação da diferença, "Firework" está para a Katy Perry assim como "Underdog" está para os Imagine Dragons. Entenderam a ideia não é?! Assim se aproxima o fechar do álbum com "Nothing Left To Say/Rocks" um medley que não se justificava. "Nothing Left To Say" é uma música potente e com um certo dramatismo melódico que nada tem a ver com o regresso mais folk de vozes ecoadas em "Rocks", que dura apenas 2 minutos. De qualquer modo, o encore do álbum compensa qualquer percalço. "Cha-Ching (Till We Grow Up)" é deliciosa. Um som de guitarra perdido ganha fulgor com um grito "hey" aparentemente dito por um grupo de crianças, a música arranca sincopadamente e a melancolia torna-se numa explosão positiva do refrão, quase num sing-along contagiante. Como se fosse um impulso, um wake up call a avisar que devemos lutar para fazer as coisas acontecerem, a vida está a decorrer a cada momento e temos de ser trabalhadores, soldados até, "You've got to live your life/ while your blood is boiling/ these doors won't open/ while you stand and watch them". Beautiful inspiring lyrics! Quando chegamos ao fim do álbum parece que nos soube a pouco... "Working Man" é a conclusão ideal. As vozes em coro reúnem-se para mais uma canção inspiradora e com uma mensagem muito positiva, "Shake it, shake it/ and we're moving again"... o caminho termina e para trás fica uma obra coesa, para todos os estados de espírito, com uma diversidade sonora pautada pelo espírito orgânico, real, onde não há espaço para modificações de voz ou sintetizadores. Sem dúvida uma banda que é capaz de funcionar muitíssimo bem em concerto ao vivo.

(Para quem gostar muito muito muuuuuuuuuito do álbum sempre pode ir explorar ao YouTube as bonus tracks, não acrescentam muito mas são de easy listening. Destaco a "My Fault".)

Veredicto: 4 out of 5 stars